segunda-feira, 24 de junho de 2013

Acionistas externos da Globo pedem ampla cobertura de passeatas, cuja organização é monitorada via Guardião

Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
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Por Jorge Serrão – 
serrao@alertatotal.net

O modelo Barack Obama, de espionagem para Segurança Nacional, está fazendo escola no Brasil de Tolos. O Governo colocou em operação seu sistema atualizado do “Guardião” para monitorar toda a organização das manifestações de rua do “Inverno Brasileiro”. Duas máquinas de última geração, que cruzam informações de dados e voz, foram instaladas no terceiro andar do prédio da Abin, em Brasília, e outro no subsolo da Superintendência Federal em São Paulo.

Curioso é que, além dos organizadores dos atos, entram na monitoração aqueles considerados “inimigos” do governo. Os sistemas rastreiam telefones fixos, celulares, tráfego de e-mails, manifestações no Facebook e no twitter – principais redes sociais usadas para ataques contra o governo. Importante frisar que os poucos nos três poderes se salvam do rastreamento. Os mais protegidos, por enquanto, são os “funcionários” do Palácio do Planalto que acabam de ganhar um sistema de comunicação de dados e voz em 4G – em teste no Brasil e para uso exclusivo deles, para maior segurança nas comunicações.

Enquanto isso, duas informações deixam a petralhada com a pulga picando a orelha – que ficou mais vermelha e inchada com os recados de insatisfação dados pelas megapasseatas. A primeira é que os investidores internacionais das Organizações Globo recomendaram à Família Marinho que dê total cobertura e repercussão aos protestos. A segunda é que o Exército já avisou ao Palácio do Planalto não aceita ser usado na repressão ao movimento de massas, quando os atos descambam para vandalismo.

No teatro de operação da mídia, os acionistas estrangeiros da Globopar, holding que controla as Organizações Globo, aproveitaram o “Inverno Brasileiro” para fazer cobranças. Aconselharam Roberto Irineu e João Roberto Marinho a darem ampla divulgação aos protestos, sem censura e sem poupar o governo Dilma Rousseff, apesar dos interesses internos do grupo Globo. Também foi feita uma recomendação para que a Rede Globo aproveite o momento para alterar sua grade de programação no final de noite, abrindo mais espaço para jornalismo, a fim de conter quedas persistentes de audiência. Os “conselhos” começam a ser cumpridos pela direção da velha vênus platinada.

No teatro de operação militar, um sinal de crise foi aprofundado. A evidência disso é que o Gabinete de Segurança Institucional, de forma incompreensível e ilógica, foi alijado das discussões do “gabinete de crise” montado pela chefona-em-comando das Forças Armadas, Dilma Rousseff, para tratar das manifestações contra o governo. O General de Exército José Elito, do GSI, ficou de fora das reuniões que Dilma comandou sobre o explosivo assunto. De uma delas, participaram até o ex-Presidente Lula da Silva, o marketeiro João Santana e Renan Calheiros (presidente do Senado), além dos ministros mais chegados.

Pouco importa entender se o General Elito ficou de fora porque preferiu, não teve condições de comparecer ou porque Dilma não quis ele na delicadíssima conversa com alto comando petista. O fato importante foi o recado dado pelo General Elito, na hora em que se cogitou o emprego das Forças Armadas na repressão a vândalos politicamente orientados a colocar fogo no prédio da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Elito deixou claro que o Exército não seria empregado, alegando que os militares já estavam cansados de serem classificados pelos petistas de ditadores e torturadores, e sempre serem convocados nos momentos em que as coisas saem do controle.

O gesto de Elito – que o desgastou ainda mais com a cúpula petista e a Presidenta Dilma – foi mais um recado direto da área militar contra o chamado “revanchismo petista”. Antes das passeatas aterrorizarem a petralhada, os militares já tinham avisado ao governo que não toleravam mais a aberta campanha de desgaste de imagem das forças armadas promovida pelos membros mais radicais da Comissão da Verdade – com a anuência e apoio de Dilma Rousseff. Diante da pressão militar nos bastidores, a Comissão teve de dar uma recuada, o que já gerou o pedido de saída de pelo menos dois membros.

Sobre as manifestações populares, os militares adoram a postura da “observação”. Alguns comandantes de área, generais de quatro estrelas da ativa, já chegaram a empregar a expressão “preocupação com os graves acontecimentos”. Mas a posição mais comum entre os comandados do General Enzo Peri é a de que o Exército não vai interferir, ao mesmo tempo em que não vai aceitar provocações dos setores mais radicalóides.

A inteligência militar, inclusive, manda outro recadinho ao governo, através de um General que não teve pudores de tratar do delicado assunto em ambientes abertos, fora dos quarteis. Os militares já teriam avisado ao governo que já sabem que as ações de violência e vandalismo das passeatas, no Rio de Janeiro, foram causadas por elementos à serviço da facção criminosa Comando Vermelho. Ainda na versão da caserna, o CV estaria agindo instrumentalizado politicamente, na tentativa de desmoralizar o movimento e forçar a entrada em cena das forças armadas. Por quem os bandidos seriam guiados politicamente os generais preferem deixar nas entrelinhas, para livre interpretação.

domingo, 23 de junho de 2013

"Sr. Blatter, a festa acabou", diz jornal britânico sobre protestos


Dirigente viajou para a Turquia em meio a manifestações no Brasil contra gastos públicos Foto: Mauro Pimentel / Terra
Dirigente viajou para a Turquia em meio a manifestações no Brasil contra gastos públicos
Foto: Mauro Pimentel / Terra
A festa acabou para o presidente da Fifa Joseph Blatter noBrasil. Pelo menos esta é a opinião explícita pelo site britânico The Independent, em um artigo escrito pelo jornalista Michael Calvin. "Quando o Brasil passa a odiar a Copa do Mundo e seu povo aponta Pelé como um traidor, o futebol perde sua relevância e razão", diz a coluna logo em seu início, ainda salientando que o "futebol internacional pode nunca mais ser o mesmo".
Na visão do jornalista, a retórica "vazia" disparada por nobres como Blatter é completamente rejeitada por quem sonha com escolas e hospitais ao invés de pão e circo. Ao mesmo tempo, as imagens violentas flagradas durante os protestos também são lembradas, com "manifestantes em meio a chamas enquanto a polícia disparava balas de borracha e gases para reprimir as demonstrações".
Além dos impactos imediatos para a Copa das Confederações, o diário opina que já há um constrangimento sensível em relação à Copa do Mundo de 2014 e à Olimpíada de 2016. Michael Calvin afirma que as manifestações aterrorizam os "parasitas de terno que subjugam o esporte aos seus próprios interesses", enquanto patrocinadores e executivos de TV percebem a gravidade da situação.
Manifestantes enfrentam cavalaria da polícia em Belo HorizonteClique no link para iniciar o vídeo
Manifestantes enfrentam cavalaria da polícia em Belo Horizonte
O artigo vai além e ironiza que, com protestos em meio a grandes eventos, instituições como Fifa e COI podem escolher como sedes futuras regimes antidemocráticos, como a Coreia do Norte. O baixo legado à África do Sul em 2010 - enquanto a Fifa lucrou cerca de R$ 5 bilhões - é lembrada pelo periódico britânico como um belo exemplo de como atua a instituição que regula o futebol mundial.
De longe, o presidente da Fifa é o mais atacado pelo jornalista. Blatter é chamado de um "presidente desacreditado de uma entidade desacreditada". O teor de insatisfação do maior dirigente do futebol mundial contra os manifestantes no Brasil também é duramente criticado.
Veja conflito entre manifestantes e a polícia em Belo HorizonteClique no link para iniciar o vídeo
Veja conflito entre manifestantes e a polícia em Belo Horizonte
Por fim, a coluna analisa o poder limitado de um ídolo, ressaltando que Pelé sofreu grande que de popularidade após se declarar contrário às manifestações. Por outro lado, posturas de jogadores como David Luiz, Daniel Alves, Hulk, Fred e Neymar mostra que futebolistas estão cada vez mais politizados, para a publicação.
Salvador tem novo protesto e confronto com policiais; veja

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Ao anunciar que tarifa volta a R$ 3, Alckmin e Haddad falam em 'sacrifício' e corte de investimentos

  • Maurício Camargo/Estadão Conteúdo
    O governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Fernando Haddad (PT) durante anúncio da redução das tarifas
    O governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Fernando Haddad (PT) durante anúncio da redução das tarifas
Após seis atos populares --pacíficos e violentos-- contra o aumento da tarifa do transporte coletivo em São Paulo, o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), e o prefeito da capital, Fernando Haddad (PT), anunciaram que a tarifa dos ônibus, metrô e trem voltará a ser de R$ 3. O anúncio foi feito durante uma coletiva de imprensa realizada na noite desta quarta-feira (19) no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado. Os dois governantes afirmaram que a revogação do aumento causará impacto nos investimentos e foi decidida para que a cidade retorne à normalidade.
"Quero dizer que no caso do metrô e trem, nós vamos revogar o reajuste dado, voltando a tarifa original de R$ 3. É um sacrifício grande, vamos ter que cortar investimentos, porque as empresas não têm como arcar com essa diferença. Vamos arcar com esses custos fazendo ajustes na área de investimentos", disse Alckmin.
"Conforme o governador disse, não há como fazê-lo sem dispensas no investimento. O investimento acaba sendo comprometido. Então, esse debate vai ser feito com a sociedade. As implicações dessa medida", afirmou Haddad.
A revogação do aumento das tarifas só entra em vigor na segunda-feira (24), já que, segundo Haddad, é preciso de ao menos cinco dias para que o sistema de cobrança seja ajustado. A integração dos ônibus com o metrô e a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) volta a custar R$ 4,65 --atualmente custa R$ 5.
Alckmin afirmou que a revogação do aumento "é um compromisso com a cidade". "Queremos tranquilidade para que a cidade possa voltar a funcionar e para que os temas legitimamente levantados nas manifestações possam ser debatidos com tranquilidade." Haddad disse que é um "gesto de aproximação, de manutenção do espírito democrático e do convívio pacífico" com a cidade.
Jurandir Fernandes, secretario estadual dos Transportes Metropolitanos, e Jimar Tatto, secretário municipal dos Transportes, acompanharam o anúncio. Júlio Semeghini, secretário estadual do Planejamento, afirmou que os custos para revogar o reajuste não virá das áreas da educação, saúde e habitação, mas de obras de infraestrutura que estão atrasadas.
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19.jun.2013 - Polícia fecha acesso a Ponte Rio Niterói para conter avanço de manifestantes que seguem em protesto pela derrubada do preço da tarifa de ônibus na cidade na ponte Rio Niterói. A Prefeitura anunciou em nota, nesta quarta-feira, que "a tarifa dos transportes coletivos municipais retornará ao valor de R$ 2,75" e deixará de custar R$ 2,95 Marcelo Carnaval / Extra / Agência O Globo

Recuo

A passagem de ônibus em São Paulo foi reajustada de R$ 3 para R$ 3,20 no último dia 2. A inflação desde o último aumento nos ônibus da capital, em janeiro de 2011, foi de 15,5%, de acordo com o IPCA (índice oficial, calculado pelo IBGE). No caso do metrô e dos trens, o último reajuste ocorreu em fevereiro de 2012. Se optassem por repor toda a inflação oficial, a gestão Haddad teria de elevar a tarifa para R$ 3,47 e o governo de Geraldo Alckmin, para R$ 3,24.
Inicialmente, Alckmin e Haddad se mostraram irredutíveis e descartaram inclusive a hipótese de suspender, por 45 dias, o reajuste já aplicado nas tarifas. O prefeito afirmou ainda que uma possível diminuição implicaria em reduzir recursos destinados para outras áreas, como educação e saúde.
Os discursos, no entanto, começaram a mudar com a resistência dos manifestantes. No início desta semana, Haddad chegou a dizer que avaliava "algumas alternativas" para reduzir o valor das passagens.
Ontem, a ministra Gleisi Hoffmann afirmou que duas desonerações feitas pelo governo federal permitiam que os municípios, inclusive São Paulo, fizessem reajustes menores ou reduzissem o preço nos casos em que o reajuste já havia sido feito, com queda de 7,23%.
No entanto, Haddad "corrigiu" a informação da ministra e afirmou ao UOL que "o reajuste da tarifa de ônibus no município já foi feito com base nas desonerações do governo federal.
Nesta quarta, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo não tem mais espaço para cortar impostos que incidem sobre as tarifas de transporte público no país. Segundo o ministro, "a parte mais salgada da conta já foi reduzida".
Em entrevista coletiva na manhã de hoje, Haddad disse que reduzir a tarifa de ônibus seria uma medida populista e que não iria tomar essa decisão se tivesse que retirar dinheiro de outras áreas do orçamento da capital paulista.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Justiça nega indenização por danos morais de R$ 760 mil a Suzane Richthofen

Rogério Barbosa
Do UOL, em São Paulo
Na última segunda-feira (3), a Justiça de São Paulo negou um pedido de R$ 760 mil de indenização por danos morais a Suzane von Richthofen, presa desde novembro de 2002, condenada a 39 anos de prisão por participar da morte dos pais, Marísia e Manfred Albert von Richthofen.
Suzane queria ser indenizada pelo Estado porque teria sido obrigada a falar com a imprensa quando foi beneficiada com um habeas corpus em 2005.
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Suzane von Richthofen deixa o 89º Distrito Policial, em julho 2006, para o julgamento no Fórum da Barra Funda, em Sao Paulo (SP). Ela e os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos foram condenados a 39 anos de prisão pelo homicídio dos pais de Suzane, ocorrido em 2002 Leia mais André Porto/Folhapress - 18.jul.2006
Ela acusa a diretora do Centro de Reabilitação de Rio Claro/SP, Irani Aparecida Torres, de ameaçar "lançá-la à multidão", caso não concedesse entrevista aos repórteres. "Ou você aparece ou então vou abrir o portão e jogá-la na rua", teria sido as palavras da diretora, de acordo com a acusação.
Suzane também alegou que a diretora a fez passar a noite anterior a sua soltura acordada e sem alimentação.
De acordo com o processo, duas testemunhas afirmaram que viram a diretora dizendo que Suzane deveria dar a entrevista, se não apanharia e seria jogada à multidão. "Suzane chorava por desespero e medo", afirmaram as testemunhas.
Entretanto, o juiz de Direito Thiago Massao Cortizo Teraoka questionou a parcialidade das testemunhas, já que uma era advogada amiga de Suzane e não tinha sua entrada no centro de reabilitação registrada no dia dos fatos. A outra testemunha tinha um histórico de desavenças com a diretora Irani Torres.
A diretora Irani Torres negou as acusações, e também apresentou testemunhas que negaram a ameaças.
O juiz afirmou ainda que "é difícil crer que a Dra. Irani iria mandar bater em Suzane, uma pessoa inteligente, perspicaz e muito conhecida, no dia da sua liberdade. Ora, isso só se a Dra. Irani fosse absolutamente inconsequente e "ingênua" (o que é incompatível com o seu cargo), pois bastaria uma palavra de Suzane perante a imprensa que a Dra. Irani poderia perder o seu cargo e ainda tomar uma representação criminal".
Cabe recurso da decisão, mas os advogados de Suzane preferiram não se manifestar, porque ainda não foram notificados oficialmente da decisão.

Relembre o caso

Segundo a versão da polícia e da acusação, Manfred e Marísia von Richthofen foram assassinados no dia 31 de outubro de 2002, quando dormiam em sua casa, no bairro do Brooklin (zona sul de São Paulo).
Suzane, Daniel e Cristian entraram na casa em silêncio. Os irmãos Cravinhos subiram as escadas junto com Suzane, que os avisou que os pais dormiam. Então, os irmãos desferiram golpes de barra de ferro contra Manfred e Marísia. Após matarem o casal, os dois cobriram os corpos com uma toalha molhada e sacos plásticos.
A biblioteca foi desarrumada para simular um latrocínio (assalto seguido de morte), e uma pasta marrom foi cortada. Também foram levados, para reforçar a simulação, cerca de US$ 5.000, R$ 8.000 e jóias do casal que estavam na biblioteca. O dinheiro ficou com Cristian, que acabou usando uma parte do montante para comprar uma moto.
Ao deixarem o local do crime, Daniel e Suzane foram para um motel em São Paulo, enquanto Cristian seguiu para um hospital para visitar um amigo. Depois de algum tempo, Daniel e Suzane foram ao encontro de Andreas von Richthofen, irmão da jovem, que havia sido deixado por Daniel em um cibercafé. Chegaram em casa, e Suzane ligou para a polícia informando do crime.
O policial militar Alexandre Paulino Boto, que atendeu ao chamado, chegou na casa e disse, no decorrer das investigações do crime, que havia estranhado o comportamento de Suzane quando ele disse que os pais da jovem estavam bem. "Como?", perguntou Suzane espantada, segundo o relato de Boto durante o julgamento.
No decorrer das investigações, a delegada responsável pelo inquérito, Cíntia Tucunduva, do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), começou a suspeitar do comportamento de Suzane e Daniel diante da "tragédia" —eles protagonizavam cenas de amor, de acordo com a delegada. No dia 8 de novembro de 2002, os Cravinhos e Suzane confessaram, em interrogatório à delegada, a participação no assassinato do casal Richthofen.